Introdução

A história de Greenfield remonta ao ano de 2003, quando eu estava com meus 16 anos de idade.

Porém, a primeira personagem, a Lily, foi feita há uns dois ou três anos antes. Estava em um Natal, na casa da minha vó. E, como uma boa vó canceriana, chamava muitos parentes para lá. E, normalmente, eu levava umas folhas para desenhar. Desenhos, para mim, sempre foi um tipo de terapia. Ainda mais quando era adolescente, e não interagia tanto com a família. Sem nada para fazer, à espera da ceia de Natal, eis que me afundava nos meus desenhos.

Os meus primeiros desenhos eram de cachorros, durante minha infância. Sempre quis ser veterinária ou então em ser juíza de eventos que exibem cães de raça. Ou, quem sabe, ser fotógrafa, talvez. Mas a minha adolescência foi muito marcada por animes e, então, começava a desenhar Dragon Ball Z. Gravava em fitas VHS os episódios desse anime, e os pausava em cenas que gostaria de copiar. Em geral, na saga do Cell, que era a minha preferida.

Após acompanhar muito outros animes como Sailor Moon, Samurai X, e Sakura Cardcaptor, comecei a comprar mangás como Fushigi Yuugi. E, mais tarde, alguns filmes como Senhor dos Anéis.

Uma história com um sopão de saga, pergaminhos, personagens de raças fictícias, uma terra desconhecida a ser desbravada, relacionamentos amorosos e etc, culminou em Greenfield, ao que eu chamo de história de “fadas e sangue”.

A personagem Lily, creio que fora inspirada na protagonista Usagi Tsukino, de Sailor Moon. Ambas de fenótipo semelhante: loiras, de olhos azuis, cabelos longos e presos em um rabo-de-cavalo. Já, Vivian, sua melhor amiga, talvez estivesse mais próxima de Tomoyo, a amiga de Sakura, em Sakura cardcaptors, embora sejam muito diferentes em temperamento e aparência. O fato é que, no fundo, Vivian, admira e considera muito a amizade com Lily.

Vivian surgiu um pouco depois, porém. Em um momento que queria reviver aquele esboço de Lily, com um uniforme escolar, também foi incluída uma colega aleatória para mostrar o contexto de uma história envolvendo estudantes comuns e graciosas. Eis que essa colega aleatória era Vivian, e que ganhou, então sua personalidade e sua participação definitiva à história.

Não me recordo como veio a inspiração para a criação de Saymaru, apenas queria criar uma personagem ligada à natureza, mas de uma forma rústica, como uma tribo indígena, porém guerreira. Mas o príncipe Almos foi uma mistura do Aragorn, de Senhor dos Anéis, com a classe de Templário e Paladino do jogo coreano Ragnarok. Sim, jogos também são uma boa influência na história, aliás. Mesmo que, de fato, seja clichê essa coisa de guerreiros. Elfos também não poderiam faltar: a criação de Lennik fora inspirada em arqueiro de jogos e no Legolas, de Senhor dos Anéis. Herbert, o bardo, foi inspirado também em Ragnarok, nas classes Bardo/Menestrel.

Greenfield por quase 20 anos se estabelecia como uma história em quadrinhos, separada em cinco cadernos. Sendo que, os três primeiros eram cadernos comuns e pautados. Impossível publicar uma obra assim. Mas resolvi continuar, encadernando folhas sulfite e fazendo os quadrinhos por lá mesmo.

Até que um dia, quando a história em quadrinho superou as 1400 páginas, eu vi que a coisa tava séria. Não só era uma terapia para mim, desenhar e elaborar todo um trama entre os personagens mas, quem sabe, estaria na hora de publicar.

Então, em outubro de 2022 resolvi ir em uma escola de arte que ensinava quadrinhos. Assim, pelo menos organizava melhor a história e estava disposta a redesenhar tudo e remontar os quadrinhos se fosse possível.

Porém, a publicação não só ia ser mais difícil, como também não precisaria, necessariamente, de mim mesma ter que redesenhar tudo. Mas, modéstia a parte, gosto do meu traço para os personagens, por mais desafiador que seja o desenho. Por exemplo, o personagem Almos é um dos mais difíceis. Ele é alto, forte, e de porte guerreiro. Para mim sempre foi mais fácil desenhar mulheres. Mas, um homem do tipo do Almos, era um esforço descomunal desenhá-lo, principalmente, em uma cena de batalha, de armadura, com uma espada e um escudo. Ainda, minha criatividade com esses apetrechos é muito vaga.

Confesso que fazia longas pausas nos quadrinhos ao longo dos anos por conta de dificuldade com os desenhos. Por mais que as posições estejam nítidas na mente, no papel saia tudo torto e ruim. E desanimava. Então, pensava que nunca mais voltaria à história. Talvez morresse por ali mesmo.

Mas com o tempo, novas inspirações vinham e estava impossível enterrar a história. E, como uma fênix, eis que a história ressurgia mais viva que antes.

Porém, em outubro de 2022, finalmente fui na escola de arte para me aprofundar nos quadrinhos.

Bem, na minha cabeça, eu achava que, indo em um curso de quadrinhos, os professores nos direcionariam em como organizar uma história em quadrinhos. E a minha primeira barreira foi que só ensinavam a ilustração de quadrinhos. E não montar história em quadrinhos. Minha mente bugou. What this fuck? Como se monta quadrinhos sem contexto? Quadrinhos por si só? Só para colocar uma ilustração dentro de uma figura geométrica? Então, a professora me deu a real: ou escrevo um livro ou aprendo ilustração.

A primeira aula foi então ilustração do zero. Mas, porém, a ilustração, por si só, não era bem aonde eu queria chegar, embora fosse uma boa pedida. A história era o que mais importava.

O fundamento da história é o que interessa. Embora muito complexa, não mais que de One Piece, claro, mas há o tema central que vai além da própria história em si, que se trata dos dilemas dos personagens e da procura da superação dos mesmos.